O destino:
fatalismo ou liberdade?
O conceito grego de
destino
 Moira apresenta vários sentidos: força
impessoal;
divindade
feminina;
divindades ctónicas.
 Aspecto em comum no mundo clássico:
sentido de parte ou porção que está
destinada a cada um. Acima de tudo, a
própria morte.
O destino em Homero
 Frequentemente, moira surge associada a
thanatos.
 Moira pode ser vista como uma força que,
sendo também divinizada, está ao lado dos
deuses e, mais importante ainda, para além
dos deuses.
 Ultimamente, não são os deuses que
verdadeiramente decidem o destino, embora o
conheçam antes do homem.
 Na concepção homérica a moira não constitui
uma força pessoal e está acima dos próprios
deuses.
O destino em Homero
 Os classicistas discutem se a moira
consiste numa força cuja acção é
irreversível.
 A verdade é que a moira é
frequentemente concebida como agindo
independentemente dos deuses, ainda
que o possa fazer através deles.
 Também os deuses morrem e estão
condicionados pelo destino.
O conceito de destino na
Mesopotâmia
 šīmtu é o termo que traduz em acádico o
conceito de destino.
 tuppi šīmāti significa a tabuinha dos destinos.
 Houve um tempo, anterior à criação do mundo,
em que não existia destino:
«Quando os deuses ainda não existiam, não tinham
sido chamados pelos seus nomes e os seus
destinos estavam indeterminados» (Enuma elish
I,7-8).
O conceito de destino na
Mesopotâmia
 No Enuma elish, Tiamat concede a
tabuinha dos destinos a Kingu dizendo:
«a tua ordem será inalterável, a tua
palavra permanecerá». (Ee I, 158).
 Logo a seguir, é referido que Kingu e
Tiamat conferem juntos os destinos dos
deuses. (Ee I,160).
O conceito de destino
na Mesopotâmia
 O destino emana de Tiamat.
 O destino está simbolicamente e materialmente
representado na tabuinha.
 Apesar de conceder a tabuinha a Kingu, Tiamat
mantém o poder de determinar o destino.
 A posse da tabuinha, por si só, não concede o poder
absoluto.
 Embora possa ser transferida, ela tem um possuidor
apropriado:
«Ele libertou-o da Tabuinha dos Destinos, que não lhe
pertencia, selou-a com um selo e colocou-a no seu
peito». (Ee IV, 121-122).
Com a tabuinha, Marduk, o seu legítimo e natural
possuidor, poderia concretizar obras maravilhosas.
O conceito de destino na
Mesopotâmia
 Parece haver uma ordem ortodoxa e um
detentor legítimo da tabuinha.
 A tabuinha pode ser roubada ou não se
encontrar legitimamente na posse de algum
deus; se tal acontecer é o próprio cosmos que
será perturbado, instalando-se o caos.
 A tabuinha mostra-se ineficaz nas mãos
erradas.
 Impermanência do poder dos deuses à
semelhança dos homens.
O conceito de destino na
Mesopotâmia (conclusão)
 Os deuses estão, eles próprios, sujeitos
ao destino.
 O detentor da tabuinha tem um poder
limitado sobre os outros deuses mas não
deixa de estar também ele sujeito ao
destino.
 Esse poder está dependente da posse
da tabuinha mas não é um poder
absoluto.
O destino dos homens
 O destino do homem é a morte e a sua
finitude.
 Gilgamesh: «Quando os deuses criaram a
humanidade, determinaram a morte para o
homem mas conservaram para eles a vida».
(Gilg. X, 3-5)
 Por isso, verifica-se uma associação
semântica. NAM.TAR, o equivalente sumério
de šīmtu, é também o nome do deus que serve
de vizir a Ereshkigal; é também o nome de um
demónio que traz a morte.
 mūt šīmti e ana/ina/arki šīmti alāku são
expressões que significam a morte natural.
O destino dos homens
Ó Senhor! Senhor! Senhor!
Pai dos grandes deuses!
O senhor dos destinos, o deus dos decretos!
Que reina sobre os céus e sobre a terra, o
senhor dos países!
Aquele que determina o veredicto final, cuja
sentença não pode ser alterada!(...)
O destino dos homens
Determina o destino da minha vida!
Ordena a criação do meu nome! (...)
Que a minha palavra seja ouvida na assembleia!
Que o deus protector ordene favores sucessivos e
que ande diariamente comigo.
Pela tua ordem superior, que não pode ser alterada e
pela tua aprovação constante que é imutável.
(BMS 19)
O destino dos homens
 Se o deus determinasse o destino do indivíduo
de uma forma absoluta e irreversível, então
não haveria necessidade destas orações.
 Tudo o que aconteceu e o que está para
acontecer foi escrito e determinado.
 Mas há sempre uma outra possibilidade. A
oração pode levar à neutralização de um
decreto.
 O destino é entendido como fixo, mas não é
inevitável.
O destino dos homens
 A
adivinhação
permite
conhecer
as
possibilidades do futuro e assim alterar o rumo
pré-estabelecido.
 A potência e o acto.
 A adivinhação assenta num pressuposto
optimista: as entidades que determinam o
destino desejam comunicá-lo e aceitam a sua
alteração.
 O signo revela o acto potencial.
 O ritual evita o que estava escrito e planeado.
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