{
4.2. Dinâmicas visuais em Televisão
4.2.1. Análise de uma sequência
genérica
4.3. O cinema
4.3.1. Princípios de análise fílmica
Análise de sequências genéricas
“Seguimentos do início de uma transmissão, basicamente daqueles que se
repetem sempre que houve a emissão do programa, compondo uma
característica fixa do próprio programa” (Dimas Alexandre Soldi, 2008: 2).
Genéricos de televisão:
- Mais complexos e menos
atados a fórmulas rígidas
- Menos restringidos ao
genérico strictu sensu
(apresentação do título,
criadores/autores e
actores)
Genéricos dos filmes de
ficção:
-Multiplicidade de
soluções visuais
-Mas tendencialmente
homogéneos
Objectivo: examinar as modalidades de entrada das emissões de
uma emissora de televisão generalista
(Fontanille, 2005)
O
genérico:
parte
inicial
de
um
programa
televisivo
ou filme que inclui informações sobre si: título, atores principais, produtor, argu
mentista, realizador, entre outros.
Início
do
cinema:
música
de
fundo,
quadros
estáticos
com
os
respetivos
nomes.
A
seguir ao nome da produtora, surgia o título do filme e, depois, o
restante elenco artístico e técnico.
À
medida
que
realizadores
atores atingem o estatuto de estrelas: o seu nome passava
e
a ser
apresentado antes do título como garantia de qualidade. Foi o caso do
realizador Frank Capra (autobiografia O Nome Antes do Título).
Mais
tarde:
o
genérico
assumiu
formas
de
arte
com
autores especializados neste tipo de introdução cinematográfica como:
Saul Bass. Ficaram para a História do cinema sobretudo os genéricos como minifilmes. Casos: dos da saga de James Bond, dos da Pantera Cor-de-Rosa, dos
dos filmes de Pedro Almodôvar (por exemplo: Mujeres al Borde de un
Ataque de Nervios (Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos, 1988)).
Saul Bass:
http://www.youtube.com/watch?v=eGnpJ_KdqZE
http://www.youtube.com/watch?v=hff329Wi0P0
http://www-ctp.di.fct.unl.pt/~nmc/2Semestre1011/pcm/tipografia2.html
http://www.youtube.com/watch?v=nLtRcd-BXQ8
http://ohomemquesabiademasiado.blogspot.pt/2012/03/25-filmes-com-titulosde-saul-bass.html
Análise de sequências genéricas
Sequência genérica (sentido
lato):
-conjunto da sequência, da
combinatória audiovisual,
que precede o início de um
programa;
-o 1.º plano da cena ou
filmagem
Sequência
genérica
(sentido restrito): em
programas
de
fluxo
quotidiano:
referimo-nos
ao
genérico durante todo o
tempo em que os ecrãs
disserem respeito ao
conjunto do programa
- referimo-nos à emissão
quando
os
ecrãs
disserem respeito aos
conteúdos, convidados e
atores do dia
A sequência genérica
contém e mistura o ecrã
do programa e o ecrã da
emissão.
Genéricos:
. momentos de entrada padronizados (em termos de grafismo e
sequência) e de passagem para o programa em si, de modo a facilitar
o acesso ao espectador
. Sugerem, propõem, anunciam, prometem, mostram, seduzem (atos
de enunciação) e escolhem um número restrito de caraterísticas de
emissão (dimensões)
As dimensões são objeto de valorização:
. expõem, na dinâmica do genérico, valores que revelam a
priori o modo como o telespetador apreenderá a praxis do programa
A composição da sequência genérica:
segmentos e dimensões
Tipos de segmento:
1. Écran-título ou tela-título (vinheta): pode conter muitas inscrições mas, em geral,
apresenta a denominação do programa. Pode surgir em duas variações: a sequência genérica
inteira ou um só plano. “O título é portador do conceito, da mesma forma como um plano da
expressão é portador de um plano do conteúdo em uma semiótica não-convencional [...].
Trata-se, assim, de uma relação semiótica do tipo simbólico (o título de uma emissão não
pode se opor a um outro para formar um sistema semi-simbólico), mas essa relação
simbólica carece ser sustentada por algum tipo de uso ou convenção” (2005: 155).
2. Genérico strictu-sensu: ecrã-título desenvolvido, que pode acolher especialmente o nome
do realizador e do animador. Se a produção é evocada no início, aparece sistemática e
brevemente antes da sequência de entrada imediata da emissão, por vezes separada com ecrã
negro.
3. Aparição do animador: pode colocar-se a) antes do início do programa, em frente, no 1.º
plano da cena, b) integrar-se em todo o genérico ou c) surgir após a abertura. Faz parte do
registo da sequência genérica e/ou do programa.
4. Sumário: momento de evocação verbal (off ou animador) e/ou com imagens dos elementos
específicos da emissão (convidados, sujeitos, reportagens, conteúdos).
5. Introdução: variante do sumário em que há uma mostra do conteúdo da emissão em
relação a anteriores (resumo/inventário dos últimos episódios/capítulos), mas sem entrar nos
sujeitos ou temas. Por exemplo: Prison Break.
VER:
As Tardes da Júlia:
http://www.youtube.com/watch?v=28uLTdI-3Ko
Olá Portugal:
http://www.youtube.com/watch?v=qWJKgxDb6mA&feature=related
Gato Fedorento:
http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=pvXT3_
Zd_3Y
Prós e Contras:
http://www.youtube.com/watch?v=-cCJc7W0HI8
Os Marretas:
http://www.youtube.com/watch?v=V76GrbEfVqI
Dimensões da evocação: ostentam um caráter estratégico. A
emissão seleciona a dimensão considerada mais eficaz.
4 tipos de evocação da emissão:
1. Conceito: conjunto de regras que define, ao mesmo tempo, o
desenvolvimento da emissão e os atos enunciativos dominantes do
programa (ex.º: exposição de problemas sociais, comentário político,
denúncias). O conceito é estável entre emissões.
2. Conteúdo: conjunto das temáticas a propósito das quais se aplica o
conceito. Os conteúdos caracterizam cada emissão do mesmo programa.
3. Regime de crença: pode ser definido a partir da noção de fingimento,
para apurar se o conteúdo do programa deve ser recebido como um
universo imaginário, possível, utópico ou real. Determina as
expectativas (do ponto de vista narrativo e emocional) e o grau e modo
de identificação/captação.
4. Papel dos animadores: apoia-se na função assumida no desenrolar do
programa. É analisada pelo modo de aparição e pelo tipo de
investimento enunciativo.

Dimensões da evocação
Modo de aparição do animador:
1.
No cenário genérico;
2.
No momento da ruptura, na 1.ª tela-palco.
Níveis e papéis do investimento enunciativo:
Definem-se por:
1.
Posição hierárquica no discurso televisual (distância
em relação aos sujeitos);
2.
Papel que lhe é atribuído (tipo de atos enunciativos).
Dimensões da evocação
Nível e papel do investimento enunciativo do animador:
(1) Emissor: o programa no seu conjunto: as informações institucionais aparecem
numa tela-produção, antes do genérico de abertura ou depois do final;
(2) Narrador: em cada emissão (episódio ou capítulo), o narrador – longe de
dirigir os acontecimentos –, pode produzir súmulas de retrospetiva, abertura,
segmentos de fecho e de antecipação;
(3) Animador-controlo: agenda setter interno das sequências. Lança os assuntos,
suscita intervenções em cena, orienta as transições entre tipos de segmentos, gere
o tempo;
(4) Apresentador/avaliador: regula os valores da emissão. Aplica o conceito,
interroga, revela, denuncia, encoraja, atiça, anima, reflete, expõe (ex.º: jornalista
que cria valor);
(5) Guia/participante: orienta, participa e comenta os conteúdos da emissão.
Parece emanar do mundo que é mostrado – é um participante – e manifesta sinais
de familiaridade mimética com lugares e pessoas com que(m) interage. Por ex.º:
”Portugal Low Cost”.

VER:

http://mediascopio.wordpress.com/2009/10/18/genericos-do-telejornalnos-ultimos-25-anos/

http://subfilmes.com/project/genericos/

http://cinealex.wordpress.com/2009/10/02/top-20-melhores-genericostelevisivos/

http://www.youtube.com/watch?v=lm6EAncYaQ4

http://www.youtube.com/watch?v=_2VzX3JBGRI&feature=fvwrel

http://www.youtube.com/watch?v=bEOxluAtiVA&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=KVjilr9XjOA&list=PL755E0B71B616204
6&index=3&feature=plpp_video

http://www.watchthetitles.com/articles/0046-Dead_Man_On_Campus

http://cloudsidea-design.com/dpm-aftebi/?p=147
ANÁLISE FÍLMICA
Formas de análise
1. Qualitativa
1.1. Estruturalista-semiótica
. Procura descobrir os significados profundos da mensagem.
. Preocupa-se com o conteúdo manifesto e as relações estruturais
da representação nos textos.
. Sujeito de análise: a natureza referencial e o significado
simbólico da mensagem.
. Objeto de estudo: como os significados são gerados nos filmes
ou programas televisivos: a codificação e suas derivações
significativas.
Ex.º: os filmes dão-nos pistas/signos sobre o seu género.
Conseguimos aferir se é um filme policial, de terror, de ficção
científica (signos) a partir dos significantes: narrativa, história,
personagens, etc. que nos são mostrados.
Tipos de Estudo:
sincrónico: explora as relações entre os vários elementos (padrões de
oposições emparelhados no texto);
1.
diacrónico: detém-se sobre as formas como a narrativa evolui (cadeia
de acontecimentos).
2.
Formas de análise
1. Qualitativa
1.2. Análise do discurso
. Para Pêcheux, o caráter material do sentido, mascarado como transparente para o sujeito pela
veiculação do significante, depende constitutivamente do sentido das formações ideológicas,
que estão em jogo no processo sociohistórico em que as palavras são produzidas (Marlene
Teixeira, 2005: 41).
. Aspecto da semiótica e constitui uma forma de linguística crítica;
. Pode ser usado no audiovisual, mas centra-se nos aspectos linguísticos usados nos media.
1.3. Análise narrativa
. Foca-se na estrutura formal da narrativa;
. Objeto: As personagens, os seus atos, dificuldades, escolhas e desenvolvimentos gerais;
. Os textos são considerados histórias;
. Faz‐se a reconstrução e apuramento da estrutura narrativa a partir de atos, escolhas, dificuldades e
acontecimentos.
2. Quantitativa
1.1. Análise de conteúdo:
. Técnica de pesquisa para fazer inferências replicáveis e válidas a partir de textos (ou matérias
significativas) para os contextos do seu uso” (Krippendorff, 2004: 18).
. “Embora a análise do conteúdo se preocupe com a ordem denotativa da comunicação ela pode
revelar, e revela, padrões e frequências que conotam valores e atitudes dentro desta ordem. Os
primeiros analistas do conteúdo confinaram as suas conclusões a esta ordem denotativa, e por
isso escaparam-lhes muitas das conclusões mais interessantes, talvez mais especulativas, de
estudiosos como Gerbner, Dominick e Rauch, ou Seggar e Wheeler” (Fiske, 1993: 192).
Manuela Penafria (2009):
(1) Análise textual:
. Considera o filme como um texto.
. Objetivo: decompor um filme dando conta da sua estrutura: o filme é
segmentado, em unidades dramáticas/sintagmas. Em geral, estes segmentos
são grandes momentos identificados na obra.
. Grande Sintagmática de Christian Metz: 3 códigos: (1) perceptivos:
capacidade de o espetador reconhecer objetos no ecrã; (2) culturais:
capacidade de o espetador interpretar o que vê, recorrendo à sua cultura; (3)
específicos: capacidade de interpretar o que vê no ecrã a partir dos recursos
cinematográficos, como: a montagem, movimentos da câmara, efeitos
especiais.
(2) Análise de conteúdo:
. Considera o filme como um relato e considera apenas o tema do filme. “Este
filme é sobre…”. Depois: resumo da história + decomposição.
(3) Análise poética (Wilson Gomes, 2004):
. O filme é uma programação/criação de efeitos. Metodologia: (1) enumerar
os efeitos da experiência fílmica, como: sensações, sentimentos e sentidos que
o filme provoca aquando da sua visualização; (2) a partir dos efeitos, chegar à
estratégia. O.s.: fazer o percurso inverso da criação de certa obra, mostrando
como esse efeito foi construído.
(4) Análise da imagem e do som:
. O filme é um meio de expressão.
. Pode ser designado como cinematográfico, pois centra-se no espaço
fílmico e recorre a conceitos cinematográficos. Por ex.º: o uso do
grande plano.
. Conseguimos aferir o estilo cinematográfico do realizador.
(5) Escolha de fotogramas:
. Fixar algo movente e analisar elementos.
(6) Análise interna:
a) Informações: título em português, título original, ano, país,
género, duração, ficha técnica; sinopse; tema(s) do filme; b)
dinâmica da narrativa: decompor o filme em partes (sequências e/ou
cenas); c) pontos de vistas: 1. sentido visual/sonoro (Onde está a
câmara? Que sons podem ser ouvidos? Planos? 2. sentido narrativo
(Que conta a história? E como é contada?); d) cena principal do filme
/ clímax; e) conclusões: texto sobre as regras de funcionamento do
espaço fílmico, identificar o grau de envolvimento que o filme
permite ao espetador, qualificar o realizador e filme analisado.









AUMONT, Jacques; MARIE, Michel. L’Analyse des Films, Nathan, 2.ª Ed., 1999
[original, 1988].
FISKE, John. Introdução ao Estudo da Comunicação. Porto: Edições Asa, 1993.
FONTANILLE, J. Significação e visualidade: exercícios práticos. Porto Alegre/RS: Sulina,
2005.
GOMES, Wilson. “La poética del cine y la cuestión del metodo en el análisis fílmico”.
Revista Significação (UTP). V. 21, n.º 1. Curitiba: 2004, pp. 85-106.
KRIPPENDORFF, Klaus. Content Analysis: An Introduction to its
Methodology. Thousand Oaks, California: Sage Publications, 2004.
PÊCHEUX, Michel. Automatic Discourse Analysis. Edited by Tony Hak and Niels
Helsloot. Amsterdam – Atlanta: Editions Rodopi B. V., 1995.
PENAFRIA, Manuela. “Análise de Filmes – conceitos e metodologia(s)”. VI
Congresso SOPCOM, Abril 2009. http://www.bocc.ubi.pt/pag/bocc-penafriaanalise.pdf
SOLDI, Dimas Alexandre. “Seqüência genérica de programas televisivos: uma
proposta de análise audiovisual”. Estudos Semióticos. Número 4. São Paulo: Editor Peter
Dietrich,
2008.
http://www.fflch.usp.br/dl/semiotica/es/eSSe4/2008eSSe%5B4%5D-D.A.SOLDI.pdf
TEIXEIRA, Marlene. Análise do Discurso e Psicanálise: Elementos para uma Abordagem do
Sentido no Discurso. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2005.
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