PERSPECTIVAS BIOÉTICAS SOBRE A
MORTE:
Alguns comentários
Léo Pessini
E-mail: [email protected]
- Membro do Board da International Association of
Bioethics ( 1997-2995)
- Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de bioética
- Superintendente (CEO) e vice-reitor do Centro
Universitário São Camilo - São Paulo - Brasil
Localização anatômica da morte
DEZ QUESTÕES ÉTICAS CHAVES
1) De que morte falamos?
- morte científica “morte encefálica”
- morte como um fato “sócio-político”: pobreza,
violência e exclusão.
“morremos de morte igual, mesma morte severina:
que é a morte que se morre de velhice antes dos
trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um
pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a
morte severina ataca em qualquer idade, e até
gente não nascida).”
João Cabral de Melo Neto
2) Distinguir o debate ético sobre a
distanásia, da eutanásia
- Silêncio bibliográfico em relação a distanásia diferentemente
da eutanásia
- Distinção e precisão conceitual evita mal-entendido e
desconforto entre os profissionais
- Evita-se o equívoco de nomear qualquer interrupção de
tratamento como sendo eutanásia
3) Em torno do conceito de distanásia
- Questão polêmica, complexa e controversa. Em busca de
um consenso mínimo
- Um guia prudente de avaliação moral levando em conta
três elementos: o bem do paciente, a eficácia do
tratamento e a onerosidade de todos os envolvidos
(Edmund Pellegrino)
- Ação, intervenção ou procedimento médico que não
atinge o objetivo de beneficiar a pessoa na fase final de
vida e que prolonga inútil e sofridamente o processo do
morrer, procurando distanciar a morte
4) A sedução da medicina high tech
- Tecnociência e medicina juntas: novo cenário com questões
novas
- Risco de negar a dimensão da mortalidade humana,
procurando a cura da morte, não da doença.
- A tecnociência encarna o sonho de imortalidade humana, em
que as curas extraordinárias constituem-se na versão
secularizada do milagre religioso
- Questões éticas:
1) utilização das UTIs,
2) conceito de morte,
3) transplantes e doação de órgãos
4) alocação de recursos na área da da SAUDE.
5) A absolutização da dimensão biológica
- A distanásia reduz a vida humana à sua dimensão biológica
- Sacrifica a dignidade humana em nome da vida biológica
- Os instrumentos de cura tornam-se ferramentas de tortura
- Pergunta-se:
Encontrar cura da mortalidade biológica e ver
esta realidade como uma expressão patológica da existência,
que deve ser medicada para ser curada?
- Desafio de resgatar o conceito de saúde e dignidade
humana para além da biologia para incluir biografia
6) Cuidados paliativos:
importância, necessidade e implementação
- Visão holística do ser humano. Cuidado integral frente
às suas necessidades físicas, psíquicas, sociais e
espirituais
- Paradigma da cura e do cuidado: a palavra chave deixa de
ser cura (cure) e passa a ser cuidado (care). Cuidar mesmo
quando curar não é mais possível
- "O sofrimento somente é intolerável quando ninguém cuida"
(Cicely Saunders)
- Medicina paliativa — especialidade reconhecida na Inglaterra
em 1987, em franco crescimento em toda região.
7) Maior necessidade de intervenções
pedagógico-educacionais
- Educar para os sentidos e significados da vida e morte
- Educar para como lidar em situações críticas de vida e morte
- Formação dos profissionais da saúde para além da
competência tecnocientífica,competência humana (ética)
- Criação de programas de bioética em nível de graduação e
pós-graduação (mestrado e doutorado)
- Publicações: livros, revistas, boletins, etc.
8) Elaborar uma bioética de cunho libertário
na América Latina
- Ver a questão da morte como um desafio sócio-político, para
além do âmbito técnico-científico hospitalar
- América Latina e Caribe: Contexto de exclusão, violência que
provoca muitas mortes — mistanásia: abreviação da vida em
nível social
- Morrer com dignidade, traz no seu bojo a exigência de se
viver com dignidade
9) A sabedoria de viver a própria morte
com dignidade
Fomos cuidados ao nascer, precisamos também de cuidado
no momento do morrer
- Exigência de competência técnico científica junto com a
competência humana.
- Objetivo último da medicina "curar às vezes, aliviar
freqüentemente e confortar sempre“
(Adágio Francês do século XVI)
- A implementação desta visão e valores nos garante viver
com dignidade a própria morte
10) Qual a contribuição da ética?
- Apontar para um horizonte de sentido: transcendência e
solidariedade
- Aprofundar o sentido dos seguintes conceitos:
a) vida humana: um bem fundamental, mas não um valor
absoluto em si); sacralidade X qualidade de vida
b) sentido da experiência humana de
dor/sofrimento/morte;
c) Como equacionar a questão:biologia X biografia.
Obrigado!
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cura da morte